quinta-feira, 23 de agosto de 2012
sábado, 26 de maio de 2012
sábado, 14 de abril de 2012
estrela pequenina
tocadores, vinde tocar
marimbas, n’gomas, quissanges
vinde chamar nossa gente
p’rá beira do grande Mar!
sentai-vos, irmãos, escutai:
precisamos entender
as falas da Natureza,
dizendo da nossa dor,
chorando nossa tristeza.
ora escutai; meus irmãos:
aquele sol no poente,
vermelho como uma braza
não é sol somente. Não!
é coágulo de sangue
vertido por angolanos
que fizeram o Brasil!
ouvi o mar como chora,
ouvi o mar como reza…
olhai a noite que chega,
veludo negro tecido
de mil pedaços de pele
arrancados a chicote,
ai! Cortados a chicote,
do dorso da nossa gente,
no tempo da escravatura…
noite é luto
de que Deus cobre o mundo
com dó de nós…
disco de prata luzente
sobe ligeiro no espaço.
sabei que a Lua fulgente
contém lágrimas geladas
por pobres negros choradas…
pergunta-me a multidão,
sentada à beira do mar:
- agora dizei, irmão,
aquela pálida estrela
tão pequenina e humilde
que brilha no nosso céu
qual é o significado?
talvez seja finalmente
Deus a olhar para a nossa gente…
Maurício de Almeida Gomes (1920)
Luandense. Integra a Antologia dos novos poetas Angolanos, de 1950 e tem colaboração na “Cultura I”, “Cultura II” e “Mensagem”.marimbas, n’gomas, quissanges
vinde chamar nossa gente
p’rá beira do grande Mar!
sentai-vos, irmãos, escutai:
precisamos entender
as falas da Natureza,
dizendo da nossa dor,
chorando nossa tristeza.
ora escutai; meus irmãos:
aquele sol no poente,
vermelho como uma braza
não é sol somente. Não!
é coágulo de sangue
vertido por angolanos
que fizeram o Brasil!
ouvi o mar como chora,
ouvi o mar como reza…
olhai a noite que chega,
veludo negro tecido
de mil pedaços de pele
arrancados a chicote,
ai! Cortados a chicote,
do dorso da nossa gente,
no tempo da escravatura…
noite é luto
de que Deus cobre o mundo
com dó de nós…
disco de prata luzente
sobe ligeiro no espaço.
sabei que a Lua fulgente
contém lágrimas geladas
por pobres negros choradas…
pergunta-me a multidão,
sentada à beira do mar:
- agora dizei, irmão,
aquela pálida estrela
tão pequenina e humilde
que brilha no nosso céu
qual é o significado?
talvez seja finalmente
Deus a olhar para a nossa gente…
Maurício de Almeida Gomes (1920)
sábado, 24 de março de 2012
O Recreio de Mário de Sá-Carneiro
Em carta datada de Paris, 16 de Novembro de 1912, a Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro escreve «com péssimo estado de espírito e num dia chuvoso, enervado, escuro como breu». A dada altura, explica a razão do seu sofrimento:
- «Diante de mim, a estrada vai pouco a
pouco estreitando-se, emaranhando-se, perdendo o arvoredo frondoso que a
abrigava do sol do vento. E eu cada vez mais me convenço de que não
saberei resistir ao temporal desfeito - à vida , em suma, onde nunca
terei lugar.
Vê você, eu sofro porque sinto próxima a hora em que o recreio vai acabar, em que é forçoso entrar para as aulas. [...] Em suma não creio em mim, nem no meu curso, nem no meu futuro. [...]» (Cartas de Mário de Sá- Carneiro a Fernando Pessoa, edição Manuela Parreira da Silva, Assírio e Alvim, pp.15-16).
- A temática do recreio é retomada por Sá-Carneiro em Outubro de 1915:
O Recreio
Na minha Alma há um balouço
Que está sempre a balouçar -
Balouço à beira dum poço,
Bem difícil de montar...
- E um menino de bibe
Sobre ele sempre a brincar...
Se a corda se parte um dia
(E já vai estando esgarçada),
Era uma vez a folia:
Morre a criança afogada...
- Cá por mim não mudo a corda,
Seria grande estopada...
Se o indez morre, deixá-lo...
Mais vale morrer de bibe
Que de casaca... Deixá-lo
Balouçar-se enquanto vive...
- Mudar a corda era fácil...
Tal ideia nunca tive...
Mário de Sá-Carneiro
quarta-feira, 21 de março de 2012
Dia da poesia - 21 de Março
POESIA
em fuga
fugaz
leve de tule
teia de aranha
na neblina
raio de sol
brilho multicolor
em fio de seda
envolve o iniciado
para sempre
pzed
em fuga
fugaz
leve de tule
teia de aranha
na neblina
raio de sol
brilho multicolor
em fio de seda
envolve o iniciado
para sempre
pzed
domingo, 11 de março de 2012
«As Luzes de Leonor»
| Maria Teresa Horta |
| «Um fresco sobre o Barroco»»; «Não se trata de um panegírico da época, mas de uma tiara de fragrâncias»»; «Leonor surge [...] descrita na sua visão atormentada entre os seus princípios monárquicos e os ideais e "atos extremos" da Revolução Francesa - período omisso no espólio e em que Maria Teresa Horta dá largas á imaginação convocando figuras que lutaram pela emancipação da mulher». «O romance, imaginoso arco-íris de rosáceas, cria uma poética dos cinco sentidos [...] e uma simbólica de cores». Extratos de «As Luzes de Leonor: Uma Poética do Belo», Ana Marques Gastão, in Colóquio de Letras 179, janeiro/abril 2012. |
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