Mostrar mensagens com a etiqueta reciclagem. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta reciclagem. Mostrar todas as mensagens

sábado, 5 de junho de 2010

Estado Social - a destruição

Reciclando o Expresso:
«O CAMINHO PARA A SERVIDÃO» (Daniel Oliveira): a destruição do Estado Social em curso.
  1. O autor valoriza o Estado Social pela libertação de cada indivíduo, face à família ( capaz de exercer o seu poder até à excisão feminina), face ao patronato, face à religião, etc. Regista-se a frase: «Através do Estado Social, construímos, na segunda metade do século XX, as sociedades mais livres da História».
    Para além do artigo:
    Acrescenta-se que, num primeiro momento da crise internacional, percepcionou-se o Estado Social como o possível salvador, para paulatinamente se ir verificando que ele próprio estava a ser posto em causa. Uma certeza parece existir: o dinheiro em dinamismo é o salvador. Mas, sendo ele uma invenção do homem, não poderá ser reciclado e transformado em algo mais interessante para o ser humano? Esse jogo já foi jogado até à exaustão, não poderá criar-se um outro?
  2. Do mesmo autor, regista-se «a união nacional da opinião», em «Ditadura de opinião», por se concordar com o teor da expressão crítica.
    Para além do artigo:
    O unanimismo opinioso tipo ralhete Medina Carreira (sublinhado pelo sorriso concordato de Mário Crespo e pela palmatória de Nuno Crato) e a verrina anti-socrática dominam a comunicação social e os emails em série. Somos mesmo bons na escola tradicional a dar lições sentenciosas aos outros e a pôr-lhes orelhas de burro! Falta sempre quem (olhando para os outros, mas também para si próprio) se consiga superar e surja com soluções para os problemas e se apresente com vontade de os resolver, na certeza de que todos contribuímos, mais ou menos, para a crise existente, como bons consumidores. E a sociedade capitalista baseia-se em quê? Pois, no consumo. E viva o paradoxo. E podemos regular um paradoxo?

segunda-feira, 31 de maio de 2010

«O século XX português é uma história de sucesso»


(reciclagem do semanário Expresso)
 

Depois de folhear o primeiro caderno, a selecção recaiu no artigo de Henrique Raposo: «O meu avô, o meu pai, e eu». É um prazer cerebral ler uma frase assim: «O século XX português é uma história de sucesso, meus amigos». Atrás da orelha do leitor habituado ao jornalismo da desgraça, a pulga começa a comichar: Então porquê, Henrique?

Muitas vezes, penso que nasci na Idade Média ( em 1944), mas o avô, visto pelo neto Henrique, avança para as invasões francesas para regredir para a o Alentejo Mauritânia. Enfim, concluo que estamos de acordo: Idade Média, mais ou menos.

O retrato dessa época aparece condensado na frase: «o terceiro mundo estava ali estacionado». É mesmo assim que eu vejo a minha aldeia minhota com os seus poucos habitantes: parada na rotina diária e social. E Deus no céu e Salazar na terra governavam o pequeno mundo imutável. E nenhum deles queria mudança. E o mundo era o palco medieval, no qual os actores se mexiam para actuar de acordo com a cartillha. E foi mais de meio século assim.

Contudo, aquele avô analfabeto e esforçado, como tantos outros, arregaçou as mangas e ajudou a construir um mundo que permitiu ao seu filho ir à escola e avançar como empresário até ao «hall do primeiro mundo», onde o Henrique nasceu e cresceu, sendo hoje o «cronista benjamim do maior jornal do país». Parabéns.
Mas isso não quer dizer que o século XX tenha sido um século de sucesso nacional.Nem todas as histórias de esforço parental foram assim tão bem sucedidas. Porém, a revolução sócio-cultural aconteceu e está em curso.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Economia rima com poesia

«Reciclagem em alta» do Caderno de Economia do semanário Expresso, de 15 de Maio, em ponto de cruz com o poema seleccionado de Adília Lopes::


Nicolau Santos voltou com a poesia
e com os cisnes
que perseguem a Fiama e  a economia
entre o cisne e o monstro
«Sem vivo nem morto»
é Sócrates quem «cumpre o seu calvário»
grego e português
queres que te conte outra vez
certo certo sem talvez
é um verão mais elegante
«os contribuintes vão emagrecer»
guerra ao monstro obeso e elefante
que ele não escape outra vez
mas olha a novidade
«a economia ganha com a biodiversidade»
o Papa em Fátima
o milagre aconteceu
«estrelas cadentes»
e «Portugal cresceu»


«(de ócio de cisne e de ócio de Fiama
se faz a literatura portuguesa
minha contemporânea)»

sábado, 8 de maio de 2010

Economia não pode rimar com poesia? (3)

Reciclagem do Expresso, Caderno de Economia, da semana passada (sem o poema e sem Nicolau Santos - que terá acontecido).

PALAVRAS SOLTAS:

1.Palavra de ordem: «EMERGÊNCIA» «Responsabilidade» «Solidariedade» «Suspensão»
«Senão»
«Pedregulhos pendurados nos nossos pés»
«Nos arrastarão»

2. «GALP vai tirar 10 mil barris por dia do TUPI»
«Ao lado ainda tem os campos
de Iara, Iracema, Júpiter» (ó rei dos deuses)
«CARAMBA
E BEM-TE-VI»

3. Mais Valia
«E afinal onde podia o Estado cortar?»
«Greves e protestos sem fim á vista»
«As boas ideias atraem-nos»
«Snickers agora são feitos com mais amendoim»
Ai sim?
«É o fim do mundo em cuecas»
«O quebra-cabeças das mais-valias»
«Expectativa e solidariedade»
«VAI DISPARAR» / «BANCA TRAVA»
«UMA NOVA IDOLATRIA: dar mais poder aos accionistas
ou
capitalismo virado para o cliente»
Ó Mensagem surpreendente!!!
«Snickers agora são feitos com mais amendoim»
Ai sim?
«É o fim do mundo em cuecas»
«Quem diria que a eficiência pode ser tão atraente?»
«Não é coincidência, é consistência»
«O fenómeno da pobreza na Europa» – conferência»
«Mundo em mudança»
«O cerne da questão»
«O futuro é instalar um motor eléctrico nas rodas do automóvel»
«a pobreza na Europa»
«Continua a ser a burocracia, estúpido!»
«Foi um parto difícil»
«E não queríamos abrir uma mina de ouro ou um poço de petróleo, apenas um hotel»
«É o fim do mundo em cuecas»
«O cerne da questão»
Pode ser que sim / Pode ser que não

sábado, 1 de maio de 2010

Economia pode rimar com poesia? (2)


No momento que antecede o envio dos jornais para a reciclagem, há uma vontade de revisitação do Expresso, neste caso, do de 24 de Abril de 2010, por sinal, muito pouco abrilino. Folheiam-se os cadernos principais com paragem certa no caderno de Economia (não me perguntem porquê). Acontece, então, a vontade de fixar por citação alguns excertos.

 Poema de Herberto Helder, Aos Amigos (a selecção será de Nicolau Santos?):
«Amo devagar os amigos que são tristes
com cinco dedos de cada lado.
Os amigos que enlouquecem
e estão sentados,
fechando os olhos,
com os livros atrás a arder
para toda a eternidade.
Não os chamo,
E eles voltam profundamente
dentro do fogo.
-Temos um talento doloroso e obscuro.
Construímos um lugar de silêncio.
De paixão.»

1. «cem por cento»
«Não se pode tapar o sol com a peneira»
E «Simon Johnson é uma alimária»
E «dias de cão e de especulação»
E «agora não temos saída»
E «um vulcão [...] entrou em erupção»
E que «a Natureza nos venha lembrar
quão frágeis continuamos a estar»
«E quem salva os cidadãos?»
«"Inútil", uma extraordinária aventura» 
Inútil, «revista de poesia e de fotos no mercado português»
E «agora, não temos saída»
E é «culpa do vulcão islandês»?
Talvez.

2. «Lítio» / «O petróleo português» / «Minério Portugal / é já o quinto produtor mundial» / «dentro de dois anos a natureza volta a tomar / conta do lugar» / Nem vais acreditar / «É a maior mina de lítio da Europa» / A «Felmica / com sede em Mangualde / é aí que o mineral / é transformado em metal» / com «reabilitação ambiental» / «Quero [...] fazer em Portugal / a primeira fundição / resta-me  encontrar o parceiro ideal».
Mas alguma coisa deve correr mal / agora não temos saída / a culpa é do vulcão islandês / ou, então, do fado português.

3. «Tecnologia portuguesa seduz EUA» / «faz sentido avançar assim /  aceitar um desafio / dar o passo em frente / e ser reconhecido» /  «Amor à primeira vista com a EFACEC» / E com a bandeira, manos, /«Entrego o coração dos georgianos».
Mas alguma coisa deve correr mal / agora não temos saída / a culpa é do vulcão islandês / ou, então, do fado português.

4. «Invasão de cisnes cinzentos» / «modeláveis» / «expectáveis» / «os gestores» / «os empresários» / «podem armar-se / de uma postura / de um pensamento / que os ajude a "farejar" / a «actuar / por antecipação» / a compreender o seu "comportamento" / e saber "navegá-los" quando rebentam».
De metáfora em metáfora / de Aristóteles a Maubossin / a culpa é do vulcão islandês / e das contas que deus não fez.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Economia pode rimar com poesia?

Citando do caderno de Economia do Expresso de 17 de Abril de 2010:

Pedro Mexia, Vamos Morrer

Vamos morrer,
mas somos sensatos,
e à noite,
debaixo da cama,
deixamos,
simétricos e exactos,
o medo
e os sapatos.


António Mexia e Zeinal Bava, premiados como os melhores presidentes pelo CEO, ”podem continuar a ser muito bem pagos sem serem pornograficamente remunerados”.

Manifesto: o tempo não volta atrás.
O uso de energias renováveis permite ao país poupar cerca de 500 milhões em 2010.
O plástico que aduba a terra: sacos de compras biodegradáveis, uma criação da Tecnologia Empresa portuguesa. Trata-se do Biomind, um plástico biodegradável, que se transforma em húmus.

A crise da Grécia é simplesmente um exemplo dos predadores a abaterem o elemento mais fraco do rebanho.

Quem se trama é a cigarra.
O principal vencedor foi a China, mas a sua janela de oportunidades vai até 2015.
Os milagres económicos de muitos “tigres" esfumaram-se.