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quinta-feira, 16 de julho de 2009

A escola inclusiva e o bem comum

- Olhando para a sociedade actual, há que optar entre viver na indiferença dos problemas gerados pela pobreza ou lutar por uma sociedade mais justa.
- A última opção é coerente com o cristianismo, que pretende uma vida digna e justa para todos, em fraternidade.
- Numa Escola, colocar-se-ia o problema da igualdade de oportunidades, na perspectiva da escola inclusiva.
- Curioso! Avaliando a minha Escola, verifico que não há uma relação directa entre catolicismo e pedagogia da escola inclusiva. Salvaguardem-se as excepções.
- Pois é. Sempre estranhei essa incoerência. Mas não esqueçamos que a vida e a mensagem de Jesus Cristo são património da humanidade e que os princípios cristãos são absorvidos dentro da cultura judaico-cristã do Ocidente.
- Queres dizer que talvez seja essa uma das possíveis razões que levam alguns professores a trabalhar tão afincadamente pelo sucesso de todos os seus alunos,incluindo aqueles alunos que têm problemas de aprendizagem?
- Sim. Pergunto-me com frequência porque é que alguns seres humanos lutam pelo bem comum e outros se lhe opõem.
- Também me interrogo se o conceito de "bem comum" reúne consenso.
- Como pode "um escola para todos" não estar abrangida pelo conceito de "bem comum"? Não entendo que não haja um consenso acerca disto.
- Claro está que há um consenso teórico; o que não há é uma prática coerente com o princípio.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

O mito da escola inclusiva

- Estou a ler um texto teu de 2000, sobre a escola inclusiva.
- Ah! As escolas, como é o caso dessa em que eu trabalhava, não se importam de colocar essa parangona no seu projecto educativo, mas não querem dar passos decisivos para atingirem essa meta.
- Não admira. Uma escola inclusiva pressupõe uma sociedade inclusiva, nem que seja numa miragem utópica. E quem a quer?
- Acho que tens razão. Mas poderá um humanista não trabalhar para que ela se torne uma realidade?
- Depende do conceito de humanista. Quantos humanistas confessos defendem uma escola exclusiva, a dos melhores, a dos adaptados ao sistema, propondo a exclusão dos outros? E isso em nome do bem da maioria.
- Só que a maioria não é a totalidade... Qual o projecto educativo para os inadaptados do sistema escolar? Fazer turmas ou escolas-guetos de inadaptados?
- Isso parece-me péssimo. Juntar problemas não os resolve, complica-os.
- Penso que a escola inclusiva ainda pertence ao desejo de uma minoria de educadores.
- Permite-me que leia parte do último parágrafo do teu texto, para que se possa comentar a nove anos de distância: «A integração e a inclusão produzem-se em ambiente de inovação que é sempre um processo de tensão entre a vontade de mudar e o imobilismo. Ideais e hábitos lutam entre si».
- Claro que, nesse âmbito, existe uma luta, dentro de cada professor e fora dele.Penso que, nessa escola, aconteceu e continua a acontecer uma batalha campal, tal como previra. Porque muito está em causa, tal como Miguel Zalbaza escrevia em «Diversidade e Currículo escolar», nomeadamente a instituição.