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quarta-feira, 9 de junho de 2010

Porque é que a Terra anda em volta do Sol?

 (lendo Mundos Paralelos de Michio Kaku)


Todo o mundo é um palco
E todos os homens e mulheres são meros actores,
Todos entram e saem.

Shakespeare (1564-1616) metaforizou desse modo o mundo.
Newton ( 1643-1727) «concebia o espaço e o tempo como uma vasta arena vazia onde os eventos podiam ocorrer, de acordo com as suas leis do movimento. O palco estava cheio de maravilhas e de mistérios, mas era essencialmente inerte e desprovido de movimento, assistindo passivamente à mudança da natureza».
Einstein revolucionou a ideia de palco, transformando o próprio palco numa parte importante da vida. O espaço e o tempo não eram uma arena estática, mas dinâmica, inclinando-se e curvando-se de formas estranhas. Em vez de palco, uma rede de circo, sugere Kaku, onde os actores caem suavemente sob o próprio peso.
Há uma imagem de Michio Kaku, bem mais explícita: uma bola de bowling a afundar-se suavemente num colchão, um berlinde que se atira para a superfície abaulada do colchão. Observa-se, então, que o berlinde percorrerá uma trajectória curva, orbitando em torno da bola de bowling. «É óbvio que não existe nenhuma força. Há apenas uma inclinação no colchão, que obriga o berlinde a mexer-se numa linha curva». Depois, Kaku desfaz a metáfora: o berlinde representa a Terra; a bola de bowling, o Sol; o colchão, o espaço-tempo. E apresenta a conclusão: a Terra  move-se em volta do Sol «não devido à atracção da gravidade, mas porque o Sol deforma o espaço em redor da Terra, criando um impulso que obriga a Terra a mover-se num círculo». «A gravidade não atrai; o espaço empurra». «Nesta nova e surpreendente representação, a gravidade não era uma força independente que preenchesse o Universo, mas o efeito aparente da curvatura da estrutura do espaço-tempo. [...] Nesta brilhante teoria, a curvatura de espaço-tempo era determinada pela matéria e energia que continha», à semelhança  do que acontece quando se atira uma pedra  ao lago,  gerando uma série de ondas que se propagam: quanto maior for a pedra  maior será a deformação da superfície do lago.Assim, «quanto maior for a estrela, maior será a curvatura do espaço-tempo à sua volta».

sábado, 29 de maio de 2010

«EINSTEIN, O REBELDE» (lendo Mundos Paralelos de Michio Kaku)

1. O aparente insucesso escolar de Einstein: «Os professores não gostavam deste estudante com pouca vergonha e convencido que, frequentemente, faltava às aulas».
2. A dificuldade de arranjar emprego: Depois de ter acabado o curso no Instituto Politécnico de Zurique, em 1900, encontrou-se desesperadamente desempregado. «Considerava-se um falhado e um doloroso peso financeiro para os pais»; o pai morreu «convencido de que o seu filho era um falhado».
3. O primeiro emprego: «modesto funcionário no registo de Patentes da Suíça em Berna», emprego conseguido a custo, porque um colega seu «mexeu uns cordelinhos».
4. O valor da leitura: «Na sua infância, Einstein tinha lido um livro de Aaron Bernstein, People's Book on Natural Science, " um trabalho que li com ansiosa atenção", recordará ele. Bernstein pedia ao leitor que imaginasse que percorria a electricidade quando ela corria ao longo de um fio do telégrafo». A criança Einstein imaginou que, «se fosse possível correr ao longo de um feixe de luz, ele pareceria congelado como uma onda imóvel».
5. A busca das respostas: Aos 16 anos, perguntou-se "qual seria o aspecto de um feixe de luz, se fosse possível apanhá-lo.Mais tarde, respondeu à questão: «se eu perseguir um feixe de luz com a velocidade c (a velocidade da luz no vácuo), observarei esse raio de luz como um campo electromagnético em repouso que oscila espacialmente».
6. Einstein e as teorias de Newton: «Do mesmo modo que a descoberta de Newton unificou a física da terra com a física dos céus, Einstein unificou o espaço com o tempo. Mas também mostrou que a matéria e a energia estão unificadas e, por conseguinte, podem transformar-se uma na outra».

( KAKU, Michio, 2010, Mundos Paralelos - uma viagem pela criação, dimensões superiores e futuro do cosmos, Lisboa, Editora Bizâncio, pp.50-54).

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Porque é que o céu nocturno é escuro?


Imaginem quem  foi a primeira pessoa a dar «a chave para a a resposta correcta»: 
o escritor  (astrónomo amador) Edgar Allan Poe (1809-1849), em Eureka: A Prose Poem. Escreveu assim: «Se a sucessão das estrelas não tivesse fim, então o fundo do céu apresentaria uma luminosidade uniforme, semelhante à que é exibida pela Galáxia - por conseguinte, não poderia haver absolutamente nenhum ponto, em todo esse fundo, onde não existisse uma estrela. Assim, a única maneira, de, em tais condições, compreendermos os vazios que os nossos telescópios encontram em inúmeras direcções, seria supor que a distância do fundo invisível [é] tão grande que nenhum raio vindo de lá pode chegar até nós».
As palavras de Poe, segundo Michio Kaku, contêm «a chave para a resposta correcta». Porém, hoje sabe-se que:
  •  «O Universo não é infinitamente antigo. Houve um Génesis». 
  • «O Universo tem apenas 13,7 mil milhões de anos de idade».
  • «A luz que chega aos nossos olhos tem um atalho finito».
  • «Quando olhamos para o céu nocturno, estamos a olhar para ele tal como era no passado».
  • «Para  o céu nocturno ser claro, o Universo teria de ter centenas de biliões de anos-luz» e não tem.
  • Outra razão para o céu ser escuro: «a duração finita das estrelas, medida em milhares de milhões de anos».
  •  
    Depois de explanar essa informação, Kaku responde à pergunta do título, depois de formular outra pergunta: «o que há para além das galáxias mais distantes?». Responde então que entre as galáxias há apenas escuridão. «Esta escuridão é que faz com que o céu nocturno  seja escuro. [...) No entanto, esta escuridão é, na realidade, a radiação de fundo de microondas. Assim, a resposta final à questão [...] é que o céu não é completamente escuro». Se pudéssemos ver a radiação de microondas, veríamos a radiação do big bang  inundando o céu nocturno, todas as noites.
( KAKU, Michio, 2010, Mundos Paralelos - uma viagem pela criação, dimensões superiores e futuro do cosmos, Lisboa, Editora Bizâncio, pp.46-50).

    sábado, 22 de maio de 2010

    HALLEY , NEWTON E O COMETA DA RÉPUBLICA

    O centenário da República faz recordar o centenário da visita assustadora do cometa Halley, visto como o causador do fim do mundo com o veneno dos seus gases.
    Em 18 de Maio de 1910, o cometa Halley assustara os portugueses e foi lido,  posteriormente, por muitos, como tendo trazido o fim da monarquia portuguesa e o início da República, a 5 de Outubro desse mesmo ano.
    Edmund Halley  (1656-1742), astrónomo amador, observara o cometa em 1682, e, deveras intrigado, procurou a opinião de Isaac Newton acerca de que força  poderia controlar o movimento do cometa. Por sua vez, esse cientista insigne tinha estado a observar o cometa com o telescópio reflector por si inventado e pôde responder que «a força que se exerce sobre o cometa é inversamente proporcional ao quadrado da sua distância ao Sol» e que «a sua trajectória seguia a sua lei de gravitação que desenvolvera vinte anos antes» (KAKU, 2010: 43).
    Halley, surpreendido com a monumental descoberta de Newton, ofereceu-se para custear a publicação da nova teoria. E foi assim que, em 1687, Newton pôde publicar «o seu épico trabalho» Princípios Matemáticos da Filosofia Natural. Com esta obra, os cientistas, desconhecedores das leis mais importantes do sistema solar, ficaram habilitados a prever o movimento dos corpos celestes.
    Grande foi o impacto da obra de Newton na Europa, traduzido desta forma poética por Alexander Pope (1688-1744):

    «A Natureza e as suas leis estavam ocultas na noite,
    Deus disse: Faça-se Newton! E tudo foi luz.»
    (apud KAKU, 2010: 43)

    quinta-feira, 20 de maio de 2010

    Kaku, Michio - MUNDOS PARALELOS

    «Estão a aumentar as provas científicas que sustentam a existência do multiuniverso no qual universos inteiros estão continuamente a "brotar" de outros universos. Se tal for verdadeiro, será possível unificar duas das maiores mitologias religiosas, o Génesis e o Nirvana. A Criação ocorrerá continuamente na fábrica do Nirvana intemporal» (KAKU, 2010: 35).

    sábado, 15 de maio de 2010

    MUNDOS PARALELOS - KAKU, Michio

     O SATÉLITE WMAP: «Um marco histórico»

    sexta-feira, 14 de maio de 2010

    MUNDOS PARALELOS - KAKU, Michio


    «Representações do Universo bebé»

    Num primeiro momento, Michio Kaku expõe as origens do Universo pelos mitos cosmogónicos, subdivididos em duas categorias contraditórias: aqueles que apresentam a criação a partir do nada e os que consideram o Universo eterno (sem princípio nem fim).

    Depois dessa deliciosa exposição, Kaku apresenta a possível conciliação dos dois tipos de cosmogonias a partir do mundo da ciência. Afirma, então:

    «O que está a emergir gradualmente dos dados é uma grande síntese destas duas mitologias opostas. Talvez, especulam os cientistas, a Criação ocorra repetidas vezes num oceano intemporal de Nirvana. Nesta nova representação, o nosso Universo pode comparar-se a uma bolha que flutua num "oceano" muito mais vasto, onde novas bolhas estão constantemente a formar-se. De acordo com esta teoria, os universos, como bolhas que se formam na água a ferver, estão em criação contínua flutuando numa arena muito mais vasta, o Nirvana do hiperespaço a onze dimensões».

    O estudo desses mundos paralelos ocupam os cientistas (físicos e astrónomos), abrindo portas para especulações que incluem a possibilidade da futura fuga de um Universo para outro.

    O motor dessas novas teorias é o fluxo de dados dos satélites espaciais, nomeadamente do satélite WMAP, lançado em 2001, que forneceu uma imagem pormenorizada do Universo primitivo, com uma precisão sem precedentes, quando este tinha apenas 380 000 anos de idade, revelando numa fotografia do céu a radiação de microondas criada pelo próprio big bang (fotografou-se o "eco da criação").


    quinta-feira, 13 de maio de 2010

    MUNDOS PARALELOS

    Lendo KAKU, Michio (2010) - MUNDOS PARALELOS - UMA VIAGEM PELA CRIAÇÃO, DIMENSÕES SUPERIORES E FUTURO DO COSMOS, 2ª edição, Lisboa, Editorial Bizâncio.

    No prefácio, o autor começa por definir cosmologia: «o estudo do Universo como um todo»
    Situa a primeira revolução da cosmologia no século XVII com a introdução do telescópio com o qual Galileu, na esteira dos estudos de Copérnico e de Kepler, abriu, pela primeira vez, «o esplendor dos céus à investigação séria». O progresso desta primeira fase culminou no trabalho de Newton, formulador das leis que «governam o movimento dos corpos celestes».
    Seria preciso chegar ao século XX para a segunda revolução, iniciada com a introdução dos grandes telescópios. Em 1920, Huble usou o telescópio do Monte Wilson «para derrubar dogmas seculares, que afirmavam que o Universo era estático e eterno», demonstrando que o Universo está em expansão, uma vez que as galáxias se estão a afastar da Terra a velocidades enormes. Os seus estudos vieram confirmar os resultados da teoria da relatividade geral de Einstein, «segundo os quais  a arquitectura do espaço-tempo, em vez de ser plana e linear, é dinâmica e curva, o que conduziu à primeira explicação plausível da origem do Universo: o Universo começou com uma explosão cataclísmica denominada big bang, que arremessou as estrelas e as galáxias no espaço». Dos estudos sobre o big bang emergiu um quadro com as  linhas mestras da evolução do Universo.
    A terceira revolução está em curso com os instrumentos de alta tecnologia que permitem obter dados muito seguros «sobre a natureza do universo, incluindo a sua idade, a sua composição e talvez até a sua provável morte futura»,
    Não deixando de fazer a retrospectiva da cosmologia, o livro trata dessa terceira revolução, admitindo a existência de novas provas de o nosso Universo ser um entre muitos.