quinta-feira, 8 de março de 2012

Comédia humana

«No meio do caminho em nossa vida
Eu me encontrei por uma selva escura»

Em cada novo caminho, ela divisa uma selva escura. O medo enche-a, água sombria que a afoga. Sentido único. Irreversível.
Franqueado o portal, eis o desconhecido a desbravar: inferno, céu e purgatório em mistura indiscernível.
E o caminho faz-se caminhando sempre até ao desbravamento da selva; acto que empurra para outra selva escura a desbravar.
Jamais regressar à selva anterior.
A vida é como um jogo de computador, com etapas várias, mas uma só vida e uma só certeza: o jogo acaba com a morte do jogador. Na certeza da derrota, continua-se a jogar.

mjlado

domingo, 26 de fevereiro de 2012

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Saudades de Pessoa

Fernando Pessoa/ Álvaro de Campos e a Verdade,
na valorização da polifonia e da intertextualidade

15-10-1930
«TENHO ESCRITO MAIS VERSOS QUE VERDADE.
Tenho escrito principalmente
Porque outros têm escrito.
Se nunca tivesse havido poetas no mundo,
Seria eu capaz de ser o primeiro?
Nunca!
Seria um indivíduo perfeitamente consentível.
Teria casa própria e moral.
Senhora Gertrudes!
Limpou mal este quarto.
Tire-me essas ideias de aqui!»

Fernando Pessoa, POESIA DOS OUTROS EUS